Este dia não estava aqui ontem. Provavelmente nenhum de nós estava. Talvez tivessemos estado apenas uma vez num qualquer sitio, tendo uma qualquer vida que apenas dessa vez foi em linha recta. Talvez tudo não seja mais que um eterno recomeço. Um recomeço ao dia em que decidimos existir. Voltamos sempre ao mesmo ponto. Não dizemos nós que é tudo um ciclo? Talvez seja. Um circulo bem pequenino. Um circulo tão pequeno que nos sufoca numa volta apertada. Demasiado apertada. Tudo se sucede. Nós mesmos somos uma sucessão. Os mesmos passos vazios. Mudam.se os sitios, permanecem as paisagens. As varandas, os montes, o nada, sempre o nada que insistimos em querer transformar em tudo. As memórias reduzidas a imaginação frágil do que queriamos ter passado. Talvez não existam copos meios cheios, se calhar estão todos completamente vazios. Cheios do nada que trazemos nos bolsos. Tantas vezes optimistas, tantas vezes felizes, tantas vezes verdadeiros. Ou tão poucas… não é a vida feita de contrários? Ilusões mentais, exercicios frustrados de neurónios prestes a explodir.
Somos sempre os mesmos. Podemos ser noutro sitio, mas nunca deixaremos de nos repetir.
