Tanto que aconteceu… uns nasceram… outros morreram, outros aguardam no corredor da morte das batas brancas. Fizemos anos e festejámos… sorrimos por ser felizes e esquecemos tudo o que já tivemos. Chorámos… perdemos coisas… encontramos outras…aprendemos ainda mais. Aprendemos que os poetas são melhores que os integrados no regime que já passou… eu pelo menos aprendi que gostava que assim fosse… mas sei mais ainda… os saca-rolhas não servem apenas para abrir tinto com os amigos. Os amigos por vezes não passam de sombras na parede, porque a realidade afigura-se bem diferente. A noticia pode ser sempre a mesma desde que o povo de saca-rolhas nos olhos compre as palavras redundantes. O futebol é bom, o natal quente e a fome também é… quando nos lembramos de barriga cheia dos que morrem com barriga desfeita de nada. Corremos por caminhos desconhecidos e voámos por nuvens atribuladas que nos encheram de medo… a outros de vómitos e a alguns de lágrimas. E assim passou menos de um ano longe das indisposições… o resto ficou guardado em folhas abandonadas nas gavetas e em cadernos brancos, hoje já gastos e pesados de tantas palavras. As velas continuam acender-se por aí… em dias que os velhos cantam fados e sorriem por entre a barba amarela do tabaco. Haverá sempre um par de braços, haverá sempre canções lindas… haverá sempre… o que quer que seja para lembrar que tudo pode ser muito mais…